A caderneta, o concreto além das pessoas (e dos prédios)

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A caderneta, o concreto além das pessoas (e dos prédios)

Text within this block will maintain its original spacing when publishedEnceto esta caderneta
como se brota nova vida
demorei na compra
usarei de forma astuta
cada canto em branco
recobrirei a tinta
mesmo indeciso ainda
sobre usar caneta ou grafite

Abancado em raios solares
que castigam têmporas como anedotas
banco estreito calado
descendo o asfalto
trêmula engrenagem pública
transporta pela consolação bela cintra
avenida são joão & barra funda.

Enquanto sinto os olhares
das pombas comendo amêndoas
nas arestas do concreto
seus olhares em minhas frestas
canaletas das saudades & suores na face
nuvens de dezembro continuam cair
previstas pela alma coletiva

Os sinais dos hotéis
suas entradas na rua albuquerque lins
salva guardam aglomerações solitárias
nas escadas rolantes
panturrilhas línguas
escondidas mélicas navalhas

Malandro morador das esquinas
pede engajamento à éfige na camiseta
pelo conselho são dois reais em moedas
-apenas moedas e não notas-
para que possa continuar seu cutting em caneta

Assim nasceu o silêncio
de início meio fim vazio
-e ao término deste-
outro como por mitose rebentará
parindo no peito não do mesmo
mas o queimar da víscera
como rastelo arando o corpo

Quando a vida andou
as entranhas sentadas no trem
separadas pelas oposições da estação
entreolharam-se pelos cantos orbitais
o sonho neoliberal
um cappuccino tall
símbolo de tão oco sentimento
tal qual a morte lenta em dois mil e catorze.





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