Amor férreo (passo III)

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Amor férreo (passo III)

Nota: Leias os passos I aqui e II acolá.

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amor férreo é teu destino insólito no decorrer mórbido do tempo

aglomerar desilusões estampadas no rosto apático
passante e prático, do perdão longe do viver

toda grande ilusão por entre suores diurnos
é vagão de pólvora

não reconheço
não consigo
não pensar no que poderia ser
caso deus não fosse uma criança armada.

entregar desespero é desesperança
vida em não viver

um baticum surripia no peito
desvio recorrente da vontade candente¹
em jamais deixar o alumiar do amar desabar em dissabor

transpirando esquinas
sobreviver armadilhas cartesianas cinzas
de vã esperança

o sol deste vulcão ara marcas
profundos sulcos em rostos
poderoso para'lém de um ferro em brasas

o desespero se vai
a dor desloca
o mundo se abre no mar de uma esquina

explode vida a cada curva
respiração num mesmo tempo navega
febre do viver repleto em eterno
amor férreo



Nota: 1- Candente: do espanhol, adj. incandescente (problema, tema), quente.



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