amorar

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amorar

origamis ascendem enganos
em lenta construção duma melancolia
enquanto questionamentos oculares
transpassam o concreto
a descer cambaleando por uma rampa

tronco tilintante
unhas derretidas
adormecem o crânio
todos os tendões em fetalismo
contorcem inúmeras ilusões de profundidade

o verso da terapia perdi
porém,
o vômito ainda reside no canto do astrolábio
ao lado do último espasmo
diafragmático da derrota

enquanto o inverno chega
sorrateiro
enterra um corpo na cozinha;

a vastidão do mundo me apavora
a do útero me amora
a imensidão que mantém
um quadrilátero porém



O poema Amorar inaugura uma nova seção no site, agora com o segundo livro de poesias, O Coração Binário e a Navalha em sua Alma. Do mesmo modo que Descarrilo Cotidiano, será editado aqui neste espaço.


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