Emprestar o isqueiro sem encarar o interlocutor

p.23

Emprestar o isqueiro sem encarar o interlocutor

Text within this block will maintain its original spacing when publishedum dia li
que é preciso emprestar seu isqueiro
sem encarar o interlocutor
pois de mau tom
é arrostar quem lhe pede algo

um dia li que tudo daria certo
se a crença fosse assim
mas eles mentem em castas
separadas por intelectos pré-julgados
mantida intacta
agressão mental consensual

o coração da besta cimento me chama
clama minha morte por entre os dias
torna-me mais liberto da moralidade cancerosa
apavora tentáculos da intelectualidade eugenista
arrebata meus pelos
minha língua
meu sexo morto
rebenta minha imbecilidade secante
incubadora de babuínos

as ruas imundas em pedregulhos
pernas cambaleantes
sonetos argamassa curam porções lácteas
de pais paranoias tediosos ao fundo da tarde

solidão mais dolorida é a que se vive nós
solidão mais linda é a que se vive sós.
talvez se transmute o último monólito pós moderno
como enfim o ser conseguirá esturrar seu maior estulto erro
não lidar com seus vazios.




Subscribe to Fabio N.Biazetti

Don’t miss out on the latest issues. Sign up now to get access to the library of members-only issues.
jamie@example.com
Subscribe