Este poema não deve ser declamado

p.24

Este poema não deve ser declamado

Text within this block will maintain its original spacing when publishedseja côncavo entrelace
um enorme teu, talvez
anarquia, arrelia, amaria.
fosse solidão
o desengano dividido
tempo, compasso – aferição.

entretanto esse poema não deve ser declamado
deve sofrer de esquecimento perene
envolto n’uma derme arrancada de arrependimento solene
devastado morador d’uma prisão em suja’lma
escondido do outro lado da rua, repleto de visão ampla

e se assim ficar descartado como primeira melhor ideia
encoberto por desacertos publicados
daqueles que desajustam passos
iludem o asfalto entrelaçando aquíferas lojas & antiquários
sempre a deixar pistas separadas por estrelas recém postadas em diodo

se for assim, é preciso antes que a garganta feche um grito
nascido em pares d’olhos de Cortázar
tempos antes de esfaquear a própria cabeça
e se retirar rigorosamente à sobra d’alma
enquanto o gene da miséria humana se torna intransponível

nossas últimas semelhanças elatoras sob uma marreta
n'uma cesariana andarilha viciada em morte
tempo caduca flores nas encostas higienistas
nos farpados muros da Funarte

e se o desespero pedir passagem
que eu dance em cima da lava
lambendo seus pés sobre as brasas
solavancam uma ecdise forçada

quando não conseguir mais andar
aterrado ao desmanchar do corpo
pelo menos engula teu côncavo
nos dias quais o azulejo do banheiro
dissolve minha nuca

todas as rimas podres um dia escritas
transbordem a miséria para fora deste mundo
que minha febre seja rasgada e serigrafada
num outro eu que não declama sonetos
pois os vomita.




Subscribe to Fabio N.Biazetti

Don’t miss out on the latest issues. Sign up now to get access to the library of members-only issues.
jamie@example.com
Subscribe