Fome em vão
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colher
usar a colher
talher de cimento
a ler o arredio sono
acalento numa
cama de chão
se não sou mais
quinhão do abandono
me tornarei paisagem
nunca mais andarilho
pois hoje sou parte
estribilho em lava
de um poema em aquarela incendiária
colher então
com métrica irei
comer de braçada o amor
que escorrega nesse concreto