Moradora
p.30
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construindo muros em sujeição poliestireno
vive erguendo urros, lurando castelos
nos meandros do dia medindo medos mudos
consigo debatendo o cotidiano surdo
do calabouço cidadela plástica, solidão afásica
e calvário cartesiano.
molda-se tal qual acetato pelos declives
caminha enquanto carrega o mundo
nos restos raspados em seu braço esquerdo
espaça o tempo como os olhares
na direção do horizonte travado por concreto
ínterim de sonho compassado pela vida.
seus vizinhos trancafiados fingem
vidas seguras por altos portões em lanças
ela alanha enleares junto ao ar
bailando a solidão que respira
nos dias de comida escassa
e de frio em brasa.
a ignorância é solene
e oficializada pelas normas
pois rostos não seguem descaminhos
percorridos como mágica por essa lona escura
que desaparece e aparece tal gota d'água habitada
queimando olhos fechados em carapaça.