Memorial

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Memorial

Text within this block will maintain its original spacing when publishedDesmedido rancor que a velhice trás consigo
a memória insolúvel, infinita
trás consigo a velhice
a trapaça do tempo que toca a solitude
solitude que trapaça a solidão

Deitar nos cristais soltos de Niemeyer
obras fotografadas esfarelando-se
tal qual faringe sem norte
morte anunciada

Não existem mais cuestas, planaltos ou serras
montanhas ou encostas
uma linha plana apenas
ácido horizonte queima insolentes retinas
atrevendo-se olhar além do ácido

Fantasmas tijolos constroem casas de alvenaria
a simpatia alheia alquimia
tudo desmorona enquanto fingimos alegrias a desconhecidos
vendilhões de neo capitanias hereditárias
ignoram as lições do cimento

Os navios colonizadores futuristas
atracam nas retro cúpulas das Américas Latinas
enquanto a mão indígena afogada pelo concreto
tenta salvar-se pelo conhecimento ao lado da biblioteca

Porém, a nau de cimento impede que toque
nas últimas folhas que lhe restam
[e também nos livros]
oca tecnológica cercada por arranha céus babuínos
em sua velhice que traz consigo uma escravidão.




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