Pandora

p.22

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Pandora

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cadafalso coberto em rosas dispara um precipício
cão pólvora raivoso
desacelera o triturar da bala ao peito

luz nascida numa esquina
são coisas que desandam
maldito cadafalso longe estava
antes desta caixa ser aberta

perde-se o fim no acidente
o qual tu'alma deixada foi
estrada céu laranja
caminho da volta sem alardes
conhecido oficial desatino depois

último aniversário comemorado aos vinte e cinco
debaixo d’uma armação verde
metal cercado de apartamentos
concreto enfim ensina sobre lembrança

claves abaixo do pensamento
enquanto o furacão repousa
som mínimo
soco sussurro interno
todo presente rasga-se como carta impublicável

o gosto metálico do concreto. - nasce insólito
no mito da destruição. mas não antevê o caminho
este sim – sinalizado aos tapas
unicamente iluminado em contagem de cinco anos

camada fina de suor na pele
única forma de não desaparecer por completo
por entre borracha, asfalto & calçamento

cadafalso permanece aberto
observa enquanto ao longe
coração bombeia asas em direção ao farol.