Poema Preso

Construção de interação das cores em contraste com criação de um terceiro tom

Poema Preso

Semana passada, a crônica sobre algumas construções sociais que de uma maneira geral parecem ser simples, mas escondem complexidades em seus entrecantos, chamou atenção de mais algumas pessoas que tornaram-se assinantes.

Além da enorme felicidade que me proporciona saber que somos em 117 pessoas dentro deste laboratório de experimentos linguísticos, fico ainda mais alumiado por tamanha onda de destino em poder dividir um pouco das minhas loucuras fonemas com todos vocês.

A dessa semana resume muito bem algumas características de meu trabalho na artéria da linguagem chamada Poesia Intersignos. Escrevi um artigo sobre o criador dessa escola, diretamente ligada ao Concretismo, Neo Concretismo, Poema Semiótico e o Poema Processo, chamado Philadelpho Menezes. Philadelpho iniciou nos anos 80 a ruptura do signo verbal utilizando entre outras coisas a montagem cinematográfica.

Figura: Poema Cartaz Agitação
(MENEZES, Philadelpho. 2023. Livro).

Poema Preso possui a mesma natureza de obras como “Poema Cartaz Agitação”, no sentido da composição e design poético como operadores da relação entre linguagem e cultura; um conceito que utiliza do sentido da tecnologia como adjuvante na constituição de um sujeito do conhecimento, um sujeito descentrado, imerso em um “coletivo pensante” (Axt, 2000, pg. 69, apud Lévy, 1994). O que faz com que essas ferramentas de linguagem criem formas de construção do conhecimento, definidas assim pela professora Margarete Axt:

Em outras palavras, se a extensão das possibilidades de comunicação e de trocas significativas com o outro, por intermédio da linguagem, repercute de forma subjetiva como um todo por força dos deslocamentos que produz, por certo intervém mais particularmente na estruturação cognitiva na medida que constitui um espaço simbólico de interação e construção. (Axt, 2000, pg. 71).

O Poema Preso utiliza-se em sua montagem inicialmente os signos visuais das barras e das cores para a composição de um efeito na interação entre componentes. O fundo branco, as barras pretas e o significante em cor #F44900 formam entre si, a depender da posição, um tom diferente de laranja. É essa interação dos signos visuais que rompem com seus significados e estruturam uma ampliação do sentido do poema em sua semiótica.

Essa montagem é completada com as relações sintagmáticas e paradigmáticas entre as entradas lexicais "PRESO” e “LIVRE”, criando uma ponte ampliada à relação intertextual interacional cognitiva com você, que nesse minuto acaba de ler essa linha de texto.

Outra inspiração ao poema, são os estudos do professor Josef Albers do livro “A Interação da Cor”, traduzido por Bruno Munari; neste caso específico existe a mudança da cor trazendo alterações na luminosidade e no peso do original (Albers, 2009, p. 134) e a justaposição de cores relacionadas à harmonia e quantidade, em que existe o aparecimento de um meio tom (Albers, 2009, p. 53). Para além de não existirem regras universais para objetivar essa natureza das cores, é possível citar que alguns pintores contemporâneos utilizam-se da quantidade de uma cor para reduzir as distâncias em termos visuais (Albers, 2009, p. 58).

Não escreverei um parágrafo explicando a nossa relação interacional cognitiva, visto não caber uma DR em poesia. Até cabe, mas não nessa.

Referências bibliográficas:

ALBERS, Josef. A Interação da cor. São Paulo. Editora Martins Fontes. 2009.

AXT. Margarete. Ciberespaço: um Hipertexto com Pierre Lévy. Porto Alegre. Editora Artes e Ofícios. 2000.


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