Restaurante japonês

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Restaurante japonês

Text within this block will maintain its original spacing when publishedEla transparece cores pálidas
branco amálgama de sua saia
como se fosse a primeira vez,
como se fosse nada demais,
como se precisasse dele,
e talvez como se refreasse o espaço
em que tal pudor jamais existiu
um portão caprichosamente sem cadeado
intercalando desejos e emancipações
pediu, enfim, a devolução de tudo que lhe dera
sem metáforas, sofismas ou analogias.

No pensamento contrário
sentado à sua frente, um pensar
como devolver a vida?
resolve então enganar
tomou gole de indiferença e cuspiu
concedendo ao seu corpo o tempo
em que a sujeira escorria afasia
fingindo um gestual importar
ofereceu um pouco deste gene torpe
o espasmo individual dado ao exterior
que seu tipo alastra coletivamente
raso traço eletro cardio mimeográfico.

Na contra partida ela então devolve
um presente sórdido
de volta lhe entrega o ódio,
retorna filho pródigo
ao meio do bastardo pai
o câncer que corre capilar à falange
levou consigo o sal do mar
secou vazante de cosmos
numa hecatombe de corpos
inutilizado em terreno desconhecido até então
manteve-se ali
hematófago raiz de volta à lógica racional.

Ele tenta levantar
o inferno lhe recusa pernas
enterra o mundo nos olhos
impondo barreiras ao sentir
transmuta loucura em meta
espera sanar feridas quimeras
como única túnica acalentando o peito
não consegue.

Ela levanta em asas
dez mil cavalos enfileirados espumando névoa
patas pesando toneladas assolapam o teto
braços açudes flumíneos de carpas
voa pelo sal seco
enquanto acende o mar novamente.




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