Restos da sarjeta tatuados no rosto
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Text within this block will maintain its original spacing when publishedÉ o desatino que mata canções de arestas secas
desespero aos poucos consome pedaços que são
decrépita epiderme nas bordas dos cotovelos
faringes involuntárias falam solidão
dores articulares mortas no álcool
fins desses tempos acelerados queimando distorções ideológicas
raiva itinerante, mambembe e vertical
rasga âmago à procura de acalento
distorce todas as visões possíveis
em uma caixa preta onde soprados sinais aos solavancos
hélices, halabastros, halucinógenos, haachinianos
habemus confitentem reum
Sentir cada pedaço dos restos emudecerem
enquanto sobras do que se pode ser desabam
emoções de translucidez homicida são teclas que movem o corpo
pendura-se no pescoço a corda
vida assopra deus morto
- pela janela ventos vadios vassalos tormentam tardiamente
o arribar desse infinito número PI de eterna tristeza
por quarenta e oito horas sem interrupção
onde o alento do copo estremece convicções sobras
pesadas das calhas recheadas de rancor
ódio consommé do calendário
A vontade do martelo acertando a têmpora
deixando tal corpo ao chão
as mazelas do interior pelas bordas dos orifícios
jamais conseguem desamarrar-se
dotadas por garras ventanas
amebas unicelulares & câncer recoberto de verão
desesperos minutos incontáveis remoendo manchetes medo
estiletes paranoia tatuam restos da sarjeta no rosto.