Rinoceronte
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Text within this block will maintain its original spacing when publishedComo matar um Rinoceronte?
Ossada montada num apanhador de sonhos
Reconstruída em salinizações
D'um extremo que só pode brotar no cimento
D'as ferrugens nas asas dos pássaros a sangrar pedras & bombas
D'os endereços esquecidos de entregas jamais enviadas
Pois A de se desenterrar esse cadáver através de bebedeiras Infinitas
Rebentar os ossos na tal mística do carinho destilado
Da traição - usando o secretariado - ao primeiro tapa na cara
Desenterra este maldito cadáver!
Queima na borda do Oceano
Catapulta as cinzas do corpo pendurado em lojas sob o Elevado
Uma vez mais cuspir sua segunda oxidação
Esperar que uma artéria as pise
N'um nada ameno calor que consome
Se esboça o desespero de cada respiração
Amor renascido em Fogo, Carcaça & Piche
Então,
nunca mais em pavor dormir pela possibilidade dos sonhos acordarem os outros.
Re/Parida vida fundação da Anarquia
Revolucionária Crítica aos desmandos da Moralidade
Insiste, expande & demanda uma Revolução
A provar que todo impalpável morre
Todo cartesiano que se faz Fúria transfunda o Mundo
Os Girassóis Negros, A Palavra Amena
O Tiro de Misericórdia, O Passado Suicida Desaparecido
O Borrado Gene do Fracasso
Todos enterrados ao lado deste Senhor Esqueleto de Ocasião.
Nota: poema escrito em 2019, tempo onde uma pequena luta entre acreditar ou não corria pelos pensamentos, do mesmo modo que essa poesia é uma carta ao meu pai, que nunca foi entregue pois não existe linha de comunicação plausível no cartesiano.
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