Se pudesse resumir o amor
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Text within this block will maintain its original spacing when publishedsalamandra correndo pela coxa
tornozelos elevados acostados pelas mãos
gregorianos desenhos de perfeição
cujo céu alaranjado ao infinito retorna
volteando órbitas
oleogravura que perdura dedos em vogar
cortina deslocada aos poucos
escondendo os olhos do mundo
toda espera pelo andejar andaluz
ahorrar su alma do desabrigo
caçadores de sonhos vencidos
fé que se acumula nas fendas da epiderme
vida disfarçada no mar de sonhos liquefeitos
pó
salgadinhos de bacon
estrado da cama no chão
colchão solto
e tijolos derrubados
ilharga pendente em bordas incolores
fina bruma matinal única
um milésimo dividido em mil
enquanto o rolimã deslizava pelas pernas
naquela borda de camisa extra larga presa ao freio de mão
banco de praça às cinco e meia da manhã
banheiro de porta trancada quinze para cinco
transloucada insolação refletida em cristalino viridante
é, e também mais nada
rompe como perecer
some se sublima névoa
renasce tal qual jamais
desassombra a luz
dissolve a pele em sopro
morre em explosão
emoldurado torna-se invisível
escolha que se faz quando recompor o corpo é impossível
instante decomposto que se torna inteiro
é um dedo