Seco rosto em lágrima

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Seco rosto em lágrima

Text within this block will maintain its original spacing when publishedpor passos pelo precipício progrides
para poder posicionar-se prazerosamente
perante póstumas lápides

lamentos lúgubres longitudinais
lastreiam longínquas labaças
lunáticas labaredas navais

nômade navegar nebuloso
novamente noutra nostalgia
nauta naturalmente naufraga
néscio nefando especioso

e
se
for
todo
rosto
pesado
planger
lágrimas;
galvanizo
diligência
antagonista;
perseverança
integralmente
extraordinária.

quand'a'calma órbita d'tormenta
no frio mascavo morno
sustenta'lma'lenta
artnoc o rosto em lágrima


Nota: Em 1960 um matemático chamado François Lionnais e o poeta Raymond Queneau, resolveram que a linguagem através de uma influência surrealista e de enfoque sartreano deveria propor labirintos, muitas vezes baseados em situações matemáticas, como se fossem construídos pelo próprio rato, onde somente ele soubesse como sair. Escritores proporiam desafios linguísticos e deveriam apresentar soluções. Assim nasceu o grupo Oulipo, conhecido como Oficina de Literatura Potencial. A pesquisa do grupo com a linguagem e a escrita denota uma literatura a procura de formas, novas estruturas e que podem ser usadas por escritores da forma que lhes agradará (Benabou, 2017).



Nota 2: Os experimentos do grupo não têm relação com nenhum movimento literário (algo que recusam), da mesma forma que não se intitulam nem seminário, muito menos aleatórios. O objetivo é aproximar a linguagem da matemática, onde escritores se encontram mensalmente para trocar experimentos e labirintos. O próprio Queneau categoricamente se opunha a ideia de que o grupo era algum tipo de vanguarda, pois, em suas palavras:

esse tipo de movimento, que rapidamente se transforma em uma seita antes de afundar em brigas ou intrigas.(Benabou, 2017)


Nota 3: Dentro vários experimentos feitos pelo Oulipo estão, construir um verso com palavras de mesma letra inicial e o poema bola de neve, onde cada verso tem a quantidade exata de letras de suas linhas: primeiro verso, uma letra; segundo verso, duas letras; terceiro verso, três letras; verso n, n letras.

Sua publicação mais famosa, talvez seja o livro de Georges Perec chamado “O Sumiço”, baseado no desafio chamado Lipograma, onde o autor tem como objetivo escrever sem utilizar-se de uma ou mais letras. No caso do livro de P_r_c, foi a letra E.

A tradução brasileira fantástica foi construída por José Roberto Andrade Féres, também conhecido como Zéfere, que por oito anos estudou todas as possiblidades para poder refazer exatamente a proposta do autor.

Perec ainda é responsável pelo maior palíndromo dentro do Oulipo com 1270 paralavras e ainda a novela “Les Reneventes”, onde ele utiliza apenas a vogal e.

É dele também um dos meus livros prediletos, “Um Homem que Dorme”; mesmo com poucas páginas, as relações sintagmáticas demoram horas para se entrelaçarem e o tempo de leitura é esticado ao máximo. Eu comparo esse livro aos filmes de Chantal Akerman.

Referência Bibliográfica:

BENABOU, Marcel. A História do Oulipo. Paris. 2017. Disponível em < https://www.oulipo.net/fr/une >. Acessado em 11/11/2024.


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