Abutre
p.28
Text within this block will maintain its original spacing when publishedOnírica perseguição oscila
transpira ofegar
trôpega atropela a razão
nas tuas escadas caracóis
anzóis do coração tardio
Em isca arde o peito diáfano
um pulmonar aquarela
austero enquanto não desvenda
vivalma estarrecida em um estacionamento
esperando seis das manhãs
amorfas, afoitas
como gomos de laranja sujos.
As miragens são passeios de criança
oferecidas pelo concreto hirsuto
ofegante que cativa o belo e sujo
intruso errante tal dissonante
que assola o interior de chuva
Esfola o querer no asfalto
até umedecer a pele em sangue
um gatilho dispara anedotas
por fotogramas de estanque
O osso falso idílico ímpio ínfimo
abutre basculante tramando em arma garra barbante
soco carma darma morto
urro em volume torto
por um alfabeto de areia e pedregulho
que alimenta os pés
Já não me tens o corpo dos prédios a me seguir
por entre as sombras
deste viver agreste.